As crianças podem usar aparelho? Entenda quando é indicado
- 6 de dez. de 2025
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A ideia de que os aparelhos ortodônticos são apenas para adolescentes ainda é comum, mas nem sempre corresponde à realidade clínica. Em muitas situações, as crianças podem usar aparelho, sobretudo quando existem alterações no crescimento dos maxilares, problemas de oclusão ou hábitos orais que interferem com o desenvolvimento dentário.
O acompanhamento ortodôntico em idade infantil permite identificar precocemente estes sinais e, quando indicado, intervir de forma faseada e ajustada ao crescimento da criança, com benefícios funcionais e preventivos.
As crianças podem usar aparelho ortodôntico?
Sim, as crianças podem usar aparelho, desde que exista indicação clínica para tal. O uso de aparelhos em idade infantil não tem como objetivo principal alinhar todos os dentes de forma definitiva, mas sim orientar o crescimento ósseo e dentário, corrigindo desequilíbrios que poderiam agravar-se com o tempo.
Nesta fase, falamos sobretudo de ortodontia preventiva ou intercetiva, que atua enquanto os maxilares ainda estão em desenvolvimento, aproveitando o potencial de crescimento natural da criança.
Em que situações o uso de aparelho é recomendado em crianças?
O uso de aparelho ortodôntico em idade pediátrica não está associado apenas à estética dos dentes. Em muitas situações, o tratamento precoce tem como objetivo orientar o crescimento dos maxilares, corrigir desequilíbrios funcionais e criar condições mais favoráveis para a erupção dos dentes permanentes.
A decisão de iniciar tratamento baseia-se sempre numa avaliação clínica individualizada, que considera a idade da criança, o estádio de desenvolvimento dentário e ósseo e a presença de alterações funcionais ou oclusais.
Mordida cruzada anterior ou posterior.
A mordida cruzada ocorre quando os dentes superiores fecham por dentro dos dentes inferiores, em vez de os cobrirem ligeiramente. Pode manifestar-se apenas na zona frontal (anterior) ou num dos lados da boca (posterior).
Quando não corrigida em fase de crescimento, esta alteração pode condicionar o desenvolvimento assimétrico dos maxilares e contribuir para desequilíbrios funcionais na mastigação.
Mordida aberta ou sobremordida profunda.
Na mordida aberta, os dentes anteriores não entram em contacto quando a criança fecha a boca, o que pode interferir com a mastigação, a fala e a estética do sorriso.
Já a sobremordida profunda ocorre quando os dentes superiores cobrem excessivamente os inferiores, podendo provocar desgaste dentário e alterações funcionais ao longo do tempo.
Em ambos os casos, a intervenção precoce pode ajudar a orientar o crescimento e a função oral.
Falta de espaço para a erupção dos dentes permanentes.
Quando os maxilares não apresentam dimensão suficiente, os dentes permanentes podem erupcionar fora da posição correta, ficar retidos ou sobrepostos.
A avaliação ortodôntica precoce permite identificar estas situações e, em alguns casos, criar espaço de forma controlada, reduzindo a probabilidade de extrações ou tratamentos mais complexos no futuro.
Desvios no crescimento do maxilar ou da mandíbula.
Diferenças no ritmo de crescimento entre o maxilar superior e a mandíbula podem resultar em alterações na relação entre os dentes e no perfil facial.
O acompanhamento ortodôntico durante a infância permite monitorizar esse crescimento e, quando indicado, intervir de forma a promover um desenvolvimento mais equilibrado das estruturas ósseas.
Hábitos orais persistentes.
Hábitos como a sucção do dedo, o uso prolongado de chupeta ou a interposição da língua podem exercer forças contínuas sobre os dentes e os ossos da face.
Quando mantidos para além das idades recomendadas, estes hábitos aumentam o risco de más oclusões e alterações na posição dentária, sendo importante avaliá-los no contexto ortodôntico.
Respiração oral e alterações funcionais associadas.
A respiração predominantemente pela boca pode influenciar o crescimento facial, a postura da língua e a posição dos dentes.
Em crianças, este padrão respiratório está frequentemente associado a alterações oclusais e funcionais, justificando uma avaliação integrada e, quando necessário, acompanhamento ortodôntico.
Dentes muito desalinhados numa fase precoce.
Desalinhamentos acentuados ainda durante a dentição mista podem indicar falta de espaço, alterações no padrão eruptivo ou desequilíbrios no crescimento dos maxilares.
Nestes casos, o acompanhamento desde cedo permite planear o tratamento de forma faseada e adaptada ao desenvolvimento da criança.
Qual é a idade ideal para iniciar a avaliação ortodôntica?
De um modo geral, recomenda-se que a primeira avaliação ortodôntica seja realizada por volta dos 6–7 anos, quando começam a surgir os primeiros dentes permanentes.
Nesta fase, o ortodontista consegue:
Avaliar o padrão de crescimento ósseo;
Identificar precocemente más oclusões;
Antecipar possíveis dificuldades de erupção dentária;
Definir se existe necessidade de acompanhamento ou intervenção.
Importa referir que nem todas as crianças precisarão de aparelho nesta idade, mas a avaliação precoce permite um planeamento mais informado e seguro.
Que tipos de aparelhos podem ser usados em crianças?
Quando indicado, o tratamento ortodôntico infantil recorre habitualmente a aparelhos simples e adaptados à idade da criança.
Aparelhos removíveis:
São frequentemente utilizados em ortodontia preventiva e interceptiva. Podem ser colocados e retirados pela criança (com supervisão) e são usados para:
Corrigir mordidas cruzadas;
Criar espaço para dentes permanentes;
Controlar hábitos orais.
Aparelhos fixos parciais ou funcionais:
Em algumas situações específicas, podem ser utilizados aparelhos fixos simples ou aparelhos funcionais que atuam sobre o crescimento dos maxilares, sempre de forma progressiva e controlada.
A escolha do tipo de aparelho depende da idade, do problema identificado e do estágio de desenvolvimento dentário e ósseo.
Porque é importante o acompanhamento ortodôntico desde cedo?
O acompanhamento ortodôntico em crianças permite uma abordagem preventiva, acompanhando a evolução do crescimento e intervindo apenas quando necessário.
Entre os principais objetivos deste acompanhamento estão:
Orientar o crescimento dos maxilares;
Promover uma oclusão funcional;
Reduzir o risco de extrações futuras;
Prevenir problemas articulares e musculares;
Facilitar tratamentos ortodônticos em fases posteriores.
Esta abordagem não substitui, quando necessário, o tratamento ortodôntico na adolescência, mas pode torná-lo mais simples e previsível.
Quando procurar um ortodontista para o seu filho?
Se notar alterações na forma como a criança morde, dificuldades na mastigação, hábitos orais persistentes ou atraso na erupção dentária, é aconselhável procurar uma avaliação especializada.
Mesmo na ausência de sinais evidentes, uma consulta de avaliação por volta dos 6–7 anos permite esclarecer dúvidas e definir a necessidade de acompanhamento.
No consultório do Dr. Cláudio Alferes, o acompanhamento ortodôntico infantil é realizado com base numa avaliação individualizada, respeitando o ritmo de crescimento de cada criança e promovendo uma abordagem preventiva e funcional.


