Quando extrair o dente do siso? Sinais de alerta e critérios clínicos
- 17 de jul.
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Os dentes do siso são, provavelmente, os dentes que geram mais dúvidas e mais ansiedade. Surgem tarde, muitas vezes causam desconforto e existe a ideia generalizada de que a sua extração é inevitável. Não é bem assim.
A extração do siso é, em muitos casos, a decisão clínica mais indicada. A questão não é se o siso existe, mas o que ele está a fazer e o risco que representa. É essa avaliação que determina o caminho a seguir.
O que são os dentes do siso e por que surgem tarde
Os sisos são os terceiros molares, os últimos dentes a erupcionar. Surgem, habitualmente, entre os 17 e os 25 anos, numa fase em que a arcada dentária já está formada. Este timing é parte do problema: muitas vezes não há espaço suficiente para os acomodar.
Quando os sisos erupcionam e o que pode acontecer
A forma como o siso erupciona depende do espaço disponível, da angulação em que se encontra no osso e da anatomia individual de cada pessoa. Há quem tenha quatro sisos, quem tenha dois, quem não tenha nenhum. Há sisos que erupcionam sem incidente e sisos que nunca chegam a sair completamente da gengiva.
Quando o siso não tem espaço suficiente para erupcionar na posição correta, pode ficar parcialmente coberto pela gengiva, inclinado sobre o dente adjacente ou completamente retido no osso. Cada uma destas situações tem implicações clínicas diferentes;
A erupção parcial, em que o siso fica coberto por uma aba de gengiva, cria um espaço de difícil limpeza onde bactérias se acumulam com facilidade. Esta situação aumenta o risco de infeção local, conhecida como pericoronarite.
Sinais em que o siso está erupcionar
Não existe uma lista de sintomas que garanta que a extração é necessária. Mas há sinais que, isolados ou em conjunto, justificam uma avaliação clínica urgente e tornam a extração provável.
Dor, inflamação e infecção recorrente
A dor na zona do siso pode ter várias origens: pressão sobre os tecidos vizinhos, inflamação da gengiva que o cobre, infecção ou cárie no próprio dente. Identificar a causa é o primeiro passo.
Quando a inflamação na zona do siso é recorrente, com episódios de dor, inchaço e dificuldade em abrir a boca que se repetem ao longo do tempo, a extração tende a ser recomendada. A recorrência indica que a causa não se vai resolver espontaneamente;
A infecção associada a um siso pode, em casos mais graves, alastrar para os tecidos vizinhos. É uma situação que exige atenção rápida e que, quando se repete, pesa claramente a favor da extração.
Siso incluso ou impactado
Um siso incluso é aquele que, por falta de espaço ou por estar em posição incorreta, não consegue erupcionar completamente. Pode estar parcialmente coberto pela gengiva ou completamente retido no interior do osso.
Os sisos inclusos não causam sempre sintomas imediatos. Mas podem desenvolver complicações ao longo do tempo, incluindo quistos, reabsorção da raiz do dente adjacente ou infecção. Por isso, mesmo na ausência de dor, a sua presença justifica monitorização regular;
A decisão de extrair um siso incluso assintomático não é automática. Depende da posição do dente, da proximidade a estruturas anatómicas importantes, da idade do paciente e do risco estimado de complicações futuras.
Risco para os dentes adjacentes
Quando o siso está inclinado em direção ao segundo molar, a pressão que exerce pode causar danos no dente vizinho. Este é um critério clínico relevante, independentemente do paciente sentir ou não dor.
A reabsorção da raiz do segundo molar por pressão do siso adjacente é uma complicação possível e, se não identificada a tempo, pode comprometer um dente que até esse momento estava saudável;
A cárie entre o siso e o segundo molar é também frequente nestas situações: o espaço estreito é de difícil acesso para a escova e o fio dentário, o que favorece a acumulação de placa bacteriana.
Impacto no alinhamento dentário
A relação entre os sisos e o alinhamento dentário é um tema menos linear do que muitas vezes se assume. Nem sempre os sisos são responsáveis pelo alinhamento dos dentes anteriores. Mas em contextos ortodônticos, a sua presença pode ser relevante.
Como é feita a avaliação clínica para extração do siso
A decisão de extrair ou não um siso não se toma com base nos sintomas isolados nem em generalizações. Exige uma avaliação clínica que inclui o exame da boca, a análise da posição do dente e, quase sempre, exames de imagem.
A radiografia panorâmica permite ver a posição dos sisos, a sua relação com as raízes dos dentes adjacentes e a proximidade ao nervo alveolar inferior, um elemento anatómico relevante sobretudo na extração dos sisos inferiores. Em casos mais complexos, pode ser indicada uma tomografia de feixe cónico, que fornece uma imagem tridimensional mais detalhada.
Com base nessa informação, o médico dentista ou o cirurgião oral explica o que está a acontecer, quais os riscos de atuar e de não atuar, e qual a recomendação para aquele caso concreto. É uma decisão partilhada, baseada em dados e não em suposições.
Se sente desconforto na zona dos sisos ou simplesmente quer perceber qual é a situação dos seus, uma consulta de avaliação é o passo certo. Só com exame clínico e imagiológico é possível dar uma resposta fundamentada.




