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O que causa o tártaro nos dentes e como prevenir

  • 8 de fev.
  • 4 min de leitura

O tártaro é um dos problemas mais comuns na saúde oral e está frequentemente associado a sangramento gengival, mau hálito ou sensação de “dentes sujos”, mesmo após a escovagem. Apesar de muitas pessoas o considerarem apenas uma questão estética, a sua presença pode ter impacto direto na saúde das gengivas e dos tecidos de suporte dos dentes.


Compreender o que causa o tártaro nos dentes é fundamental para prevenir complicações futuras e manter uma saúde oral estável ao longo do tempo.


O que é o tártaro?


O tártaro, também designado por cálculo dentário, resulta da mineralização da placa bacteriana que permanece aderida aos dentes. Quando a placa não é removida de forma eficaz através da escovagem e da limpeza interdental, começa a endurecer devido à ação dos minerais presentes na saliva.


Uma vez calcificado, o tártaro deixa de poder ser removido com escovagem normal e passa a exigir destartarização profissional em consultório.


Placa bacteriana vs. tártaro


A placa bacteriana é uma película invisível composta por bactérias e resíduos alimentares que se forma continuamente na superfície dentária. É um processo natural, mas exige remoção diária.


Se não for eliminada nas primeiras 24 a 72 horas, essa placa começa a mineralizar-se, transformando-se em tártaro. Ao contrário da placa, o tártaro apresenta uma superfície rugosa que facilita a acumulação de ainda mais bactérias, criando um ciclo de inflamação gengival progressiva.


Qual é a principal causa do tártaro nos dentes?


A principal causa do tártaro nos dentes é a acumulação persistente de placa bacteriana associada a uma higiene oral insuficiente ou ineficaz. No entanto, existem vários fatores que podem influenciar a sua formação.


1. Higiene oral inadequada


Escovagem irregular, técnica incorreta ou ausência de limpeza interdental favorecem a permanência de placa nas superfícies dentárias. Mesmo pessoas que escovam duas vezes por dia podem acumular tártaro se não utilizarem fio dentário ou escovilhões para limpar os espaços entre os dentes.


2. Composição da saliva


A saliva contém minerais como cálcio e fosfato, que contribuem para o processo de mineralização da placa. Algumas pessoas apresentam maior predisposição para formação de tártaro devido à composição salivar, independentemente dos cuidados que tenham.


3. Alimentação


Uma dieta rica em açúcares e hidratos de carbono fermentáveis aumenta a atividade bacteriana e favorece a formação de placa. A frequência com que se ingerem alimentos ao longo do dia também influencia o risco.


4. Fatores individuais


Apinhamento dentário, desalinhamentos ou restaurações mal adaptadas podem criar zonas de difícil higienização. Nestes casos, a acumulação de placa é mais rápida e o risco de formação de tártaro aumenta.


O tabagismo também está associado a maior predisposição para acumulação de cálculo dentário e inflamação gengival.


Onde o tártaro se forma com mais frequência?


O tártaro tende a formar-se com maior incidência na face interna dos incisivos inferiores e na face externa dos molares superiores. Estas zonas estão próximas das glândulas salivares, o que favorece a mineralização da placa.


Também pode acumular-se junto à margem gengival e abaixo dela (tártaro subgengival), sendo este particularmente relevante do ponto de vista periodontal, pois está associado a inflamação crónica e perda óssea.


Que problemas o tártaro pode causar?


Embora inicialmente possa parecer apenas uma alteração estética, o tártaro cria um ambiente favorável à proliferação bacteriana e à inflamação gengival.


1. Gengivite


A presença de tártaro junto à gengiva pode provocar inflamação, vermelhidão e sangramento durante a escovagem. A gengivite é reversível, mas exige intervenção atempada.


2. Periodontite


Se a inflamação persistir, pode evoluir para periodontite — uma condição mais grave que afeta os tecidos de suporte dos dentes, incluindo o osso alveolar. Esta situação pode levar à mobilidade dentária e, em casos avançados, à perda de dentes.


3. Mau hálito persistente


A acumulação bacteriana associada ao tártaro contribui frequentemente para halitose, mesmo em pessoas que mantêm uma rotina de higiene aparentemente adequada.


Como prevenir o tártaro nos dentes?


A prevenção do tártaro baseia-se numa combinação de cuidados diários consistentes e acompanhamento profissional regular.


1. Escovagem correta


A escovagem deve ser realizada pelo menos duas vezes por dia, com técnica adequada e tempo suficiente para alcançar todas as superfícies dentárias. Escovas elétricas podem ser uma boa opção em determinados casos.


2. Uso de fio dentário ou escovilhões


A limpeza interdental diária é essencial para remover placa nas zonas onde a escova não alcança. Sem este passo, a probabilidade de formação de tártaro aumenta significativamente.


3. Destartarização profissional periódica


Mesmo com boa higiene oral, é recomendável realizar consultas periódicas para avaliação e, se necessário, destartarização profissional. Este procedimento remove o tártaro acumulado e ajuda a prevenir inflamação gengival e doença periodontal.


A frequência ideal depende do perfil de cada paciente, da sua predisposição individual e da condição periodontal.


Tártaro dentário: prevenir é mais simples do que tratar


O tártaro é uma consequência direta da acumulação de placa bacteriana não removida atempadamente. Embora comum, não deve ser desvalorizado, pois pode comprometer a saúde das gengivas e dos tecidos de suporte dentário.


Uma avaliação regular permite identificar precocemente sinais de inflamação e ajustar as estratégias de prevenção às necessidades específicas de cada paciente.


Se tem tendência para acumular tártaro ou apresenta sangramento gengival frequente, agende uma consulta de avaliação para definir o plano de prevenção mais adequado ao seu caso.

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