Periodontite: o que é, sintomas e tratamento
- 31 de jul.
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Atualizado: 13 de ago.
A saúde das gengivas é, muitas vezes, a parte esquecida da saúde oral. Falamos de cáries, de aparelhos, de estética do sorriso, mas raramente falamos do que sustenta os dentes: as gengivas e o osso à sua volta. Quando essa estrutura de suporte é afetada, o problema chama-se periodontite, e pode ter consequências sérias se não for identificado a tempo.
O que é a periodontite
A periodontite é uma doença inflamatória crónica que afeta os tecidos de suporte do dente, ou seja, a gengiva, o ligamento periodontal e o osso alveolar. Resulta, na maior parte dos casos, de uma gengivite não tratada: a inflamação inicial das gengivas evolui e passa a atingir estruturas mais profundas.
Diferente da gengivite, que é reversível com cuidados adequados, a periodontite provoca perda de inserção gengival e, em fases mais avançadas, perda óssea. Esta perda é, em grande parte, irreversível, o que torna o diagnóstico precoce particularmente importante.
Da gengivite à periodontite: como evolui a doença
A periodontite não surge de um dia para o outro. Numa fase inicial, a inflamação limita-se à gengiva, sem afetar o osso de suporte: é a gengivite, uma condição reversível quando tratada a tempo através de higiene oral adequada e destartarização.
Quando a gengivite não é tratada, a inflamação pode progredir e passar a envolver o ligamento periodontal e o osso alveolar, dando origem à periodontite. Nesta fase, já existe perda de inserção gengival, e a doença tende a evoluir por surtos, com períodos de maior atividade inflamatória intercalados com fases mais estáveis. Sem intervenção, a progressão pode levar a mobilidade dentária e, em última instância, à perda de dentes.
Compreender esta evolução ajuda a explicar porque é que o diagnóstico precoce, ainda na fase de gengivite, é a forma mais eficaz de evitar a periodontite.
Causas e fatores de risco
Placa bacteriana e tártaro
A causa principal é a acumulação de placa bacteriana junto à gengiva. Quando esta placa não é removida com a escovagem e o uso de fio dentário, mineraliza e transforma-se em tártaro, uma superfície rugosa que favorece ainda mais a acumulação bacteriana e dificulta a higiene.
Tabagismo
O tabaco é um dos fatores de risco mais relevantes para a periodontite. Além de comprometer a resposta imunitária dos tecidos gengivais, mascara sinais clínicos como o sangramento, o que atrasa muitas vezes o diagnóstico. Fumadores têm um risco significativamente mais elevado de desenvolver periodontite e, frequentemente, uma resposta menos favorável ao tratamento, uma vez que a nicotina reduz o aporte sanguíneo às gengivas e compromete a capacidade de cicatrização dos tecidos. Parar de fumar é, por isso, uma das medidas mais eficazes para travar a progressão da doença.
Fatores genéticos e sistémicos
Existe uma componente genética que torna algumas pessoas mais suscetíveis à doença periodontal, mesmo com boa higiene oral. Doenças sistémicas como a diabetes também aumentam o risco e tornam o controlo da periodontite mais difícil.
Relação com a saúde geral
A periodontite não afeta apenas a boca. Existe uma relação bidirecional bem estabelecida entre a doença periodontal e a diabetes: por um lado, a diabetes mal controlada aumenta o risco e a gravidade da periodontite; por outro, a inflamação periodontal pode dificultar o controlo dos níveis de glicémia. Tem sido também associada, em diversos estudos, a um maior risco cardiovascular, embora a natureza exata dessa relação continue a ser investigada. Por estas razões, o controlo da saúde periodontal deve ser encarado como parte integrante dos cuidados de saúde geral, e não como um cuidado isolado.
Sintomas mais comuns
Sangramento das gengivas
O sangramento ao escovar os dentes ou ao usar fio dentário é, frequentemente, o primeiro sinal de alerta. É um sintoma que muitas pessoas desvalorizam, associando-o, por vezes, a uma escovagem demasiado vigorosa, quando na realidade traduz a presença de inflamação ativa nos tecidos gengivais. É um sinal que nunca deve ser ignorado, independentemente da sua intensidade.
Recessão gengival
Com a progressão da doença, a gengiva retrai-se e os dentes podem parecer "mais compridos". Esta recessão pode também causar sensibilidade dentária, sobretudo ao frio, e deixar visível uma parte da raiz do dente que, em condições normais, estaria protegida pela gengiva.
Mobilidade dentária
Em fases mais avançadas, a perda de suporte ósseo pode levar à mobilidade dos dentes, e nos casos mais graves, à sua perda.
Diagnóstico
O diagnóstico da periodontite é feito através de exame clínico, que inclui a medição da profundidade das bolsas periodontais, avaliação do sangramento e da mobilidade dentária. É também comum recorrer a radiografias para avaliar o nível de osso remanescente à volta dos dentes.
Este diagnóstico deve ser feito por um profissional com experiência em periodontologia, uma vez que a extensão e a gravidade da doença variam consideravelmente de pessoa para pessoa.
Tratamento
Destartarização e alisamento radicular
O tratamento inicial passa, geralmente, pela remoção mecânica da placa bacteriana e do tártaro, incluindo abaixo da linha da gengiva, num procedimento conhecido como alisamento radicular. O objetivo é eliminar o fator irritante e permitir que os tecidos gengivais cicatrizem.
Cirurgia periodontal
Em casos mais avançados, pode ser necessária intervenção cirúrgica para aceder a zonas mais profundas, reduzir as bolsas periodontais ou, em situações específicas, promover regeneração óssea.
Prevenção e acompanhamento
A prevenção da periodontite assenta em três pilares: higiene oral diária cuidada, consultas de rotina regulares e controlo de fatores de risco, como o tabagismo. Uma vez diagnosticada e tratada, a periodontite exige acompanhamento continuado, já que é uma doença crónica que pode reativar-se sem manutenção adequada.
Na prática, isto traduz-se em escovagem duas vezes por dia, uso diário de fio dentário ou escovilhão interdentário, e consultas de manutenção periodontal com a periodicidade definida pelo dentista, habitualmente a cada três a seis meses em pessoas já tratadas. Estas consultas de manutenção são determinantes para detetar precocemente qualquer sinal de reativação da doença e ajustar o tratamento antes de haver nova perda óssea.
Se notar sangramento persistente das gengivas, mobilidade dentária ou alteração no aspeto do seu sorriso, o mais indicado é marcar uma consulta para avaliação. Um diagnóstico atempado faz, muitas vezes, toda a diferença na forma como a doença é controlada.




