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Diastema dentário: causas, tipos e opções de tratamento

há 23 horas
7 min de leitura

Diastema dentário é o nome dado ao espaço entre dois dentes vizinhos. O mais conhecido é o que separa os incisivos centrais superiores, a que se chama diastema mediano, mas pode surgir em qualquer ponto de qualquer das arcadas, e é frequente existirem vários ao mesmo tempo.

 

Há quem o considere uma marca pessoal e não queira mexer nele. Há quem conviva mal com ele desde a adolescência. E há situações em que o espaço não é uma questão de gosto, porque indica algo que está a acontecer na boca e que vale a pena avaliar. Este artigo distingue os três cenários.


O que é um diastema dentário


Um diastema dentário é um espaço visível entre dentes adjacentes que deveriam estar em contacto. Pode medir menos de um milímetro ou vários, ser único ou generalizado, e existir apenas na frente ou também nas zonas posteriores.

 

O diastema mediano superior é o mais visível e o motivo mais comum de consulta, por razões evidentes: fica exatamente no centro do sorriso.


Um diastema é sempre um problema?


Não. E esta é provavelmente a informação mais útil de todo o artigo.

 

Um diastema estável, sem doença gengival associada, sem interferência na oclusão e sem incomodar a pessoa que o tem, não exige tratamento. Não provoca dor, não danifica os dentes vizinhos e não evolui só por existir. Tratar nestas condições é uma decisão estética, perfeitamente legítima, mas é uma escolha e não uma necessidade clínica.

 

O quadro muda em duas circunstâncias.

 

A primeira é o diastema que apareceu recentemente num adulto que não o tinha. Um espaço novo entre dentes que estavam em contacto significa que os dentes se moveram, e a razão desse movimento é o que interessa investigar.

 

A segunda é o diastema que resulta de um problema de fundo, como uma desproporção acentuada entre o tamanho dos dentes e o osso, uma ausência dentária ou um hábito que exerce pressão continuada sobre os dentes da frente. Nestes casos, fechar o espaço sem resolver a origem é preparar o terreno para que volte a abrir.


Causas do diastema


Desproporção entre o tamanho dos dentes e o osso


A causa mais frequente, e a mais simples de compreender. Se os maxilares oferecem mais espaço do que a soma da largura dos dentes, sobra espaço, e esse excedente distribui-se pela arcada sob a forma de um ou vários diastemas.

 

É o mecanismo inverso do apinhamento, em que os dentes não cabem no espaço disponível e se sobrepõem. Escrevemos sobre esse cenário no artigo dedicado ao apinhamento dentário.

 

Esta desproporção tem forte componente hereditária, o que explica por que razão o diastema mediano aparece com frequência em várias gerações da mesma família.


Freio labial com inserção baixa


O freio labial superior é a prega de tecido que liga o lábio à gengiva, acima dos incisivos centrais. Quando é espesso e se insere muito perto do rebordo gengival, pode interpor-se entre os dois dentes e dificultar o seu encerramento natural.

 

É uma causa real, mas menos comum do que a atribuição popular sugere. Na maioria dos casos, o freio acompanha um diastema causado por desproporção, e não é ele o fator determinante. Só depois de uma avaliação clínica cuidada faz sentido concluir que a intervenção sobre o freio é necessária.


Incisivos laterais pequenos ou ausentes


Os incisivos laterais superiores estão entre os dentes com maior variação de forma e tamanho. Quando são conóides, ou seja, mais estreitos e afunilados do que o normal, sobra espaço na região anterior mesmo com os restantes dentes bem posicionados.

 

A agenesia, que é a ausência congénita de um ou de ambos, produz o mesmo efeito de forma mais marcada. Nestes casos, a decisão de tratamento envolve escolher entre fechar totalmente os espaços com ortodontia ou redistribuí-los para permitir a reabilitação dos dentes em falta.


Doença periodontal e migração dentária


Esta é a causa que justifica a maior atenção quando o diastema é novo.

 

O suporte de cada dente depende do osso e do ligamento periodontal à sua volta. Quando a periodontite destrói parte desse suporte, os dentes anteriores perdem estabilidade e podem migrar, inclinando-se para a frente e afastando-se entre si. O sinal típico é um leque de espaços que se abre progressivamente nos dentes da frente, muitas vezes acompanhado de mobilidade.

 

Nesta situação, o diastema é uma consequência visível de um processo que está a decorrer no osso. Tratar o espaço sem tratar a doença é ortodontia sobre terreno instável. Detalhámos os sinais desta doença no artigo sobre periodontite, e a retração da gengiva que a costuma acompanhar no artigo sobre gengiva retraída.


Hábitos com pressão continuada


A língua exerce força sobre os dentes centenas de vezes por dia. Quando a deglutição é atípica, com a língua a apoiar-se nos dentes anteriores em vez do palato, essa força repetida empurra os incisivos para a frente ao longo dos anos.

 

A sucção do polegar ou da chupeta prolongada para lá da idade em que os dentes definitivos irrompem produz efeito semelhante, tal como a interposição do lábio inferior. Nestes casos, corrigir o hábito faz parte do tratamento, sob pena de o espaço reabrir.


Diastema em crianças: quando é normal e quando preocupa


Em fase de dentição mista, o espaço entre os incisivos centrais superiores é habitualmente normal e transitório.

 

Quando os incisivos definitivos irrompem, fazem-no frequentemente com uma ligeira inclinação e com espaço entre eles. À medida que os incisivos laterais e depois os caninos irrompem, a pressão que exercem empurra os centrais para a posição correta e o espaço encerra sozinho, sem qualquer intervenção. É uma fase transitória da erupção, e a maior parte destes diastemas resolve-se por si até à erupção dos caninos definitivos.

 

Isto não significa que não deva ser avaliado. Significa apenas que a avaliação serve para distinguir o que é normal do que não é, e não para tratar tudo o que aparece.

 

Merecem atenção o diastema muito largo, que dificilmente encerra sozinho, a persistência do espaço depois da erupção dos caninos, a assimetria entre os dentes, a suspeita de dente supranumerário retido entre os centrais, e a manutenção de hábitos de sucção. A primeira avaliação ortodôntica é recomendada por volta dos seis ou sete anos, precisamente para identificar estas situações a tempo, como explicámos no artigo sobre quando levar o seu filho ao dentista.


Consequências para lá da estética


Na maioria dos casos o diastema não causa danos. Quando causa, é sobretudo por três vias.

 

A oclusão é a primeira. Espaços na região anterior alteram a forma como as arcadas contactam, e desequilíbrios oclusais mantidos ao longo do tempo repercutem-se na função e na sobrecarga de determinados dentes. Tratámos este tema no artigo sobre as consequências da má oclusão dentária.

 

A gengiva é a segunda. Nos espaços interdentários abertos, a papila gengival deixa de estar protegida pelo contacto entre os dentes e fica mais exposta ao impacto direto dos alimentos durante a mastigação, o que pode gerar inflamação localizada.

 

A fonética é a terceira e a menos frequente. Diastemas amplos na região anterior podem interferir na articulação de sons sibilantes, com um ligeiro ciciar em palavras com s.


Como se trata o diastema


A escolha depende da causa, do tamanho do espaço, da idade e do estado dos dentes envolvidos.


Ortodontia fixa


Continua a ser a abordagem mais versátil, sobretudo quando existem vários espaços, quando é necessário movimentar raízes ou quando o diastema faz parte de um problema ortodôntico mais amplo. Permite controlo total do movimento e resultados estáveis.


Alinhadores invisíveis


Nos casos de diastema anterior isolado, sem alterações significativas da oclusão, os alinhadores invisíveis são frequentemente uma boa opção, e são muitas vezes a razão que traz o adulto à consulta.

 

Têm a vantagem da discrição e da facilidade de higiene, e limitações que convém conhecer, sobretudo em movimentos mais complexos e em situações que exigem controlo radicular apurado. Escrevemos dois artigos sobre este tema: um sobre para que servem os alinhadores invisíveis e outro sobre em que casos são indicados e quais as suas limitações.


Restauração com compósito ou facetas


Quando o espaço existe por os dentes serem estreitos, faz sentido aumentar a largura dos dentes em vez de os deslocar. A adição de compósito é conservadora, reversível e resolve-se numa consulta. As facetas dão resultado estético mais estável ao longo do tempo, com preparação dentária variável consoante a técnica.

 

A limitação está nas proporções. Espaços largos fechados apenas com material restaurador resultam em dentes desproporcionadamente largos, e por isso muitos casos combinam ortodontia para redistribuir o espaço com restauração final para o encerrar.


Frenectomia, quando indicada


Nos casos em que o freio labial é efetivamente o obstáculo, a sua remoção cirúrgica pode ser necessária. Costuma ser feita em articulação com o tratamento ortodôntico, e não isoladamente, porque remover o freio não fecha o espaço por si só.


Tratar primeiro a causa periodontal


Quando o diastema resulta de migração por perda de suporte, a sequência não é negociável: primeiro estabiliza-se a doença periodontal, só depois se move qualquer dente. Movimentar dentes com inflamação ativa e perda óssea em curso agrava a perda de suporte.


O diastema pode voltar a abrir?


Pode, e é uma das razões pelas quais a fase seguinte ao tratamento tem tanto peso quanto o tratamento em si.

 

Os dentes têm tendência a regressar à posição anterior, sobretudo nos espaços anteriores encerrados por ortodontia. A contenção, fixa ou removível, é o que mantém o resultado, e nos casos de diastema mediano é frequentemente indicada por período prolongado. Se a causa era um hábito de pressão lingual e o hábito se mantém, a probabilidade de reabertura é ainda maior.


Quando marcar consulta


Se o espaço entre os dentes apareceu recentemente, aumentou nos últimos tempos ou surge acompanhado de gengivas que sangram ou de dentes com mobilidade, a avaliação deve ser feita sem esperar. Nestes casos, o diastema é o sinal e não o problema.

 

Se o diastema existe desde sempre e a questão é apenas se vale a pena tratá-lo, uma consulta de avaliação permite perceber a causa, se há implicação funcional e que opções fazem sentido no seu caso concreto, incluindo a de não fazer nada.




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